Lights of death

Que vales, riqueza? Vales uma alma? Não, que a condenas. Vales uma vida? Não, que a arriscas. Vales um sossego? Não, que o destróis. Vales um alívio? Não, que és peso. Vales um descanso? Não, que és cuidado. Vales uma respiração? Não, que és afogo. Arriscas a vida de quem te busca; condenas a alma de quem te guarda; destróis o sossego de quem te conserva; fazes do sono cuidado, do alívio carga, da respiração receio…  e és tesouro? Adonde pois está o teu valor, que se o achou a estimação, eu não o descubro na realidade. Contigo poderá o homem comprar mais mundo; porém não poderá o homem comprar mais vida.

Soror Maria do Céu. Enganos do Bosque, Desenganos do Rio. 1741: 84-85.

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3 Comments Add yours

  1. Sara Augusto diz:

    Este “escarmento” da riqueza continua a impressionar-me. Não sei se me comova mais com o fundo se com a forma tão caracteristicamente barroca.

  2. NETPIN diz:

    Muito profundo este texto de admiráveis considerações sobre a riqueza…
    riqueza de pensamento que me deixa em demorada reflexão.

    1. Sara Augusto diz:

      Os textos espirituais da época barroca abordam o tema da morte de uma forma extremamente retórica. E com uma beleza fulgurante conseguida com o sortilégio dos efeitos de estilo e sobretudo da metáfora. Resta-nos aproveitar. Fico feliz por ter gostado! Tenho trabalhado a literatura barroca nos últimos 20 anos… e partilharei mais então.

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