Crónica de Feaglar

Matei os falsos sorrisos, silenciei as mentiras, vinguei as afrontas, as injustiças… Quando a minha inocência morreu, morreram aqueles que as destruíram. Pedro Ventura, O Regresso dos Deuses, p. 253 Já me encontrei com o Pedro Ventura há mais de um mês na Biblioteca Municipal de Viseu. Ele tinha na mão a reedição de Goor…

Da sátira ao moralismo

Poco es conquistar el entendimiento si no se gana la voluntad. B. Gracián, El Heróe: Discurso XII. Acabei de reler a citação do jesuíta espanhol em A sátira e o engenho (1989), de João Adolfo Hansen, obra fundamental para o estudo da sátira no período barroco, sobretudo no que diz respeito à poesia satírica de…

O voo das andorinhas

A minha vida é tudo menos rotineira. Já me queixei quando o era, mas na verdade nunca o foi verdadeiramente. Pois é disso que hoje me queixo, de não ter rotina que me permita fazer render mais o meu tempo. Mas também é com isso que me alegro, com a possibilidade de viver sempre novas…

Cartografia do barroco e do neobarroco

Foi hoje, pelas 16 horas, no Centro de Literatura Portuguesa, a conferência de Vincenzo Russo, professor da Universidade de Milão. O título era mais do que sugestivo e suficientemente provocador: Cartografia conceptual do Barroco e do Neobarroco na literatura portuguesa do século XX. De uma forma concisa e didáctica, Vincenzo Russo cobriu 5o anos que…

Separador central

Passou uma semana, passaram duas, mais meia. Por quanto mais tempo aquele tapete cor de rosa ia ficar assim? De cores vivas, a prender-me os olhos naqueles 200 metros de fartura de cor ondulante? Domingo, talvez fossem dez horas e meia, lá estava eu. Os domingos costumam ser proveitosos… Às nove arrumara a máquina no…

Emergir

Não fui eu quem escreveu tristinfinitamente. Luís Belo, emergir, medíocre, 2013, p. 12. Percorro lentamente as páginas a sépia e a preto e branco de emergir. Lembro-me muito bem da primeira vez que vi o Luís Belo e as suas fotografias de Viseu. Foi na Fnac, como resultado de sucesso num concurso fotográfico. Fui sabendo…

A chave e os rios

Escritoras representativas da literatura brasileira no início do século XXI. Realização: CLEPUL, Mestrado em Estudos Brasileiros (FLUL-ICS) e Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa Apoio: Embaixada do Brasil 7 março Quinta-feira, Faculdade de Letras, sala 2.13, 17-20h. Sara Augusto, A chave e os rios: alegoria nos romances de Tatiana Salem Levy. Não…

Dois rios

Tatiana Salem Levy, Dois Rios, Lisboa, Tinta da China, 2012. NOTA: a leitura dos romances de Tatiana Salem Levy tem sido uma descoberta constante. Não são fáceis de ler. O discurso de memória, de reflexão, a fragmentação narrativa, quase manipuladora, determinando o acesso às informações necessárias para a construção de um sentido válido, obrigam a…