Crónica de Feaglar

Matei os falsos sorrisos, silenciei as mentiras, vinguei as afrontas, as injustiças… Quando a minha inocência morreu, morreram aqueles que as destruíram.
Pedro Ventura, O Regresso dos Deuses, p. 253

regresso deusesJá me encontrei com o Pedro Ventura há mais de um mês na Biblioteca Municipal de Viseu. Ele tinha na mão a reedição de Goor -Crónica de Feaglar I, que eu queria ter para guardar ao lado de O Regresso dos deuses – Rebelião. (fotografias das capas tiradas dos blogues Voz de Celénia e The Tale of the Bamboo Cutter).

Interessei-me por Goor numa fase em que me apeteceu muito ler e escrever sobre “literatura fantástica”. Li muito, sim,  mas não escrevi, infelizmente. Bem, fiz duas conferências em que associei os enredos das novelas alegóricas do período barroco ao universo do romance fantástico, mas fiquei por aí. Contudo, a exploração da tipologia, da figuração das personagens, da configuração do Goorespaço, da linguagem emblemática, nos dois campos, ainda me está atravessada na gaveta das ideias para concretizar.

Bem, nessa altura, o Pedro Ventura emprestou-me o volume dele e depois comprei o segundo, entretanto editado pela Presença, em 2011. Lembro-me de ter ficado satisfeita com a leitura e com a capacidade de escrita, de imaginação, de construção de outros mundos, que o Pedro me revelava.

Foi por isso que quis ter o primeiro volume da saga. E já devia ter escrito este artigo há algumas semanas. Mas li o primeiro e li o segundo, outra vez, a seguir. Demorou mais tempo, mas também confirmei alguns aspectos que se iam levantando e que já tinham ficado evidentes na primeira leitura. Em primeiro lugar, fiquei a perceber que nem tudo tem de ser dito. A sequência entre os dois romances mostra exactamente isso: que é importante estimular a imaginação do leitor e fazê-lo construir uma etapa, que não está contada, nem num nem outro volume, mas que é fundamental para a sequência. Em segundo lugar, que o segundo volume afirmou uma escrita ficcional mais desenvolvida, menos estilizada, mais natural nos diálogos, mais fluida na narração. Em terceiro lugar, que não me importava de ler mais um volume de Goor, o III. Trata-se de fôlego, de paciência, dons que poucos têm. Mas trata-se também de imaginação, prodigiosa diria eu. O Pedro mostra tudo isso.

Já conheço o Pedro Ventura há uns anos. Foi bom tomarmos um café, conversar, e tirar-lhe fotografias. Parabéns, Pedro, por esta reedição. Espero por novas “venturas”, novas portadoras de luz.

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3 Comments Add yours

  1. nina luz diz:

    vou ler… 🙂 Sabe, a Sara por vezes faz-me lamentar ter prestado mais atenção aos meus estudos ingleses e americanos do que aos portugueses… Acho essa ideia do estudo comparativo brilhante – quando escrever, lembre-se de mim. (e os ‘conference papers’, foram publicados…?)

    1. Sara Augusto diz:

      Não lamente nada, Nina. O seu conhecimento é uma ponta para leituras que eu não posso fazer, mas que a Nina pode! É essa a riqueza da intertextualidade e do horizonte de expectativas.
      Estes que refiro nunca foram… confesso-lhe que achei demasiado ousado comparar A Preciosa, de Soror Maria do Céu, com The Lord of the Rings… por escrito! Mas as duas conferências encheram-me a alma!
      Um abraço, Nina Luz.

  2. Obrigado pela divulgação e pelo interesse. Abraço!

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