Firework

Tenho medo do fogo. Tenho medo desde menina, quando os incêndios rodeavam a aldeia e os homens combatiam o fogo com o que tinham à mão. Ainda tenho esse medo miudinho. Há poucos dias fugi das chamas como o diabo da cruz e chorei descontroladamente, zangada comigo mesma por me sentir assim.

Mas há fogos que não me assustam. Os que me aquecem os pés frios, as brasas acesas da lareira, as fogueiras de rosmaninho e as que faço no quintal para queimar as ervas secas amontoadas num canto. Foi uma destas, a última antes do tempo das chuvas, que fotografei. Talvez não fosse mais que uma fogueirinha que alimentei com os galhos velhos das roseiras podadas pelo meu pai, mas as chamas tinham cores que me embalavam e aqueciam, entre o laranja e o violeta, oscilando quando eu passava e compunha o lume.

Não resisti a experimentar e foi interessante ver como a objectiva procurava a luz e o calor como se fossem as minhas mãos a aquecer-se, virando para um lado e para o outro, naquele início seco de inverno. As chamas pareciam serpentes, enrolando-se na sombra, sem conseguir soltar-se, e os galhos ganhavam a cor da lava derretida. Fogo preso, em que todas as chamas são diferentes.

Anúncios

3 Comments Add yours

  1. Sim senhora.. é um desafio! Não gostar de algo e desafiar, muito bom!
    Gostei! 🙂

  2. Sara Augusto diz:

    Sabes o que achei de melhor? Como na noite as fotografias ficam nítidas, com os contornos das chamas desenhadas. Gostei muito de fazer isto. Abraço para ti!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s