Imagem abreviada do paraíso

Saí de casa com a câmera fotográfica, atravessei a estrada, andei dez metros, fotografei o portão em frente, e voltei. Pouco tempo, poucas fotografias. Apenas o suficiente para criar metáforas e metalepses, mundos dentro de outros mundos e entre mundos. Começa a definir-se uma ideia central e acho que cada artigo sobre fotografia deste blogue acentua…

Nuvens de incenso

Pedra e talha. Detalhes que me prendem o olhar no intervalo de uma cerimónia. No altar, o ritual, as mãos levantadas, indicando o caminho aos cânticos e às nuvens de incenso. Os olhos sobem, repetindo o mesmo movimento de ascensão. Devagar. Desenho com os dedos as colunas largas de pedra, as folhas gravadas no pedestal. Sigo…

Cenário para um mundo estranho

Uma das coisas que me apaixona na fotografia, como na escrita (e na pintura, no cinema, soubesse eu desenhar o que quer que fosse, escrever um guião ou usar o vídeo da câmera fotográfica), é a possibilidade de criar mundos diferentes. Os caminhos e os cantos do quintal costumam oferecer-me “pequenos mundos” a que o…

Dois rios, dois irmãos, e Marie-Ange

Releio o romance dois rios (assim mesmo, com minúscula, como na capa do livro). Gostei ainda mais. É um romance muito bem escrito. Suponho que esta minha apreciação tenha a ver com o facto de ter lido mais devagar, sem lápis na mão, demorando-me em cada fragmento. Trata-se da história bipartida de Joana e António, gémeos,…

Romeo and Juliet

Como não te adorar, se só tu és adorável? Como não te amar se só tu és digna do amor? Livro do Desassossego You are a lover. Borrow Cupid’s wings and soar with them above a common bound. Shakespeare, Romeo and Juliet A sala estava decorada com máscaras e cupidos que seguravam grandes corações vermelhos….

We’re on a road to nowhere

Well we know where we’re goin’, but we don’t know where we’ve been, and we know what we’re knowin’, but we can’t say what we’ve seen.  And we’re not little children, and we know what we want, and the future is certain. Give us time to work it out. We’re on a ride to nowhere, come…

A excelência da subversão

Obras de Misericórdia? perguntou Floriteia, “entendo-as em mui diferente sentido que aquele comum, que lhe deu este nome, assim não tenho nenhuma devoção com elas, nem hei-de ter nenhum exercicio”. Agravo e desgravo da Misericórdia, BPMP, ms, fl. 1v. Da subversão nasce a imaginação? Ou o processo é inverso? Artigo em construção: As figuras da ficção…