dois rios, de Tatiana Salem Levy

Há pessoas que chegam para nos destruir. Outras para nos salvar.
Dois rios,  2012, p. 13

Finalizo o artigo para a edição online dos trabalhos apresentados em Salamanca, no congresso La Lengua Portuguesa, organizado por Angel Marcos de Dios no final de maio. Como sempre me acontece, o texto final está bem diferente da comunicação apresentada em 15 minutos.

Com o título Memória e construção da identidade: a narrativa ficcional de Tatiana Salem Levy,  o artigo pretende mostrar como “os dois romances de Tatiana Salem Levy, publicados já no século XXI (A chave de casa, 2007; Dois rios, 2011), têm assumido algum protagonismo no contexto da ficção brasileira contemporânea. O seu interesse constrói-se a partir de fatores diversos que habilmente se conjugam. Os temas são atuais e fraturantes: desde o exílio à emigração, desde as relações intrafamiliares, tomadas como peso e herança, à construção da identidade individual, processo doloroso, e à experiência amorosa, conquista de uma alegria mais leve. Tendo em conta esta temática, os romances apresentam um discurso apropriado, feito de memória e reflexão, para o qual o fragmento se tornou a forma mais adequada, em que cada gesto e cada coisa têm um sentido determinado, adquirindo, com frequência, uma dimensão alegórica significativa. Este artigo, partindo de trabalhos já realizados, pretende mostrar como premissas semelhantes se aplicam ao segundo romance, Dois rios, de 2011″.

Acabou por resultar num trabalho mais longo do que eu supunha. Logo que o artigo fique disponível, publico a devida ligação. Por agora, ficam as últimas linhas:

“Dois Rios é um romance complexo porque equaciona diferenças linhas de leitura, determina mundividências distintas, evidentes nas diversas personagens, e estabelece relações entre elas. O peso da memória continua a ser determinante, condicionando a reconstrução dos protagonistas. As suas interpretações, visíveis em Aparecida, Joana e António, e mesmo em Marie-Ange, implicam uma desconstrução. Não há uma memória, há visões e repercussões distintas dos mesmos acontecimentos, atualizados em função de vivências distintas. A fragmentação dos capítulos parece intensificar a imagem desta desconstrução, sem que se atinja um grau zero, mas que proporciona uma revisitação, uma releitura, e uma re-identificação. Não se trata de um processo simples, mas sim doloroso, por entre perdas, fugas e desequilíbrios, reflexão, procura, no sentido de alcançar um grau de satisfação, entre liberdade e felicidade, capaz de garantir um bem-estar interior fundamental.”

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s