Albeniz

*** Sevilla, Suite Española, Op. 47 Isaac Albeniz. A Plaza de España era uma das poucas recordações seguras que tinha da primeira visita que fiz a Sevilha aquando da Expo 92. Por isso, a impressão não foi tão forte, apesar da luz, da cor e das formas, esplêndidas e ricas. Construída em meia lua, com um…

Al-Andalus

E encostou a cabeça na parede rendada, descendo os olhos ao chão. Tímida gazela, rola esquiva, pensou ele, vendo-a no pátio à hora em que os arcos se tornavam dourados e as fontes cantavam histórias de engano. Mas ela sabia e recolheu-se. Havia tempo. Ana de santa Cruz O Real Alcázar de Sevilla preparou-me para toda…

A chave de casa, nas Ciências & Letras

Quem sabe aos poucos, quando conseguir dar os primeiros passos, quando conseguir me libertar do fardo, não consiga também dar nome às coisas? E por isso, só por isso escrevo. (Tatiana Salem Levy, 2007, p. 12) Saiu o meu primeiro artigo sobre os romances de Tatiana Salem Levy, “A chave de casa: alegoria na produção ficcional…

Para lá da sombra

Das sombras espero sempre a luz reveladora. Ana de Santa Cruz O espaço interior é de sombra para os olhos que vêm da luz e do calor. Demorei tempo a perceber a imensidade da catedral, mas cedo entendi bem a forma como a voz popular se referiu à decisão dos cónegos de Sevilha em 1410…

El Salvador

A esta fusão do sublime com os sentidos confusos e ofuscados, da exuberância com as linhas mais puras e límpidas, da beleza mais cristalina com a expressão do sofrimento humano, costumo eu chamar barroco. Como uma aranha enredada na própria teia, uma das teias mais perfeitas da história da arte e da literatura. Ana de…

O solar da menina loira

Conheço este solar desde menina. A minha mãe era professora na escola da aldeia e eu tinha uns três ou quatro anos e usava e abusava da prerrogativa de ser filha da professora. Era loirinha, com dois laços no cabelo e devia ter sorriso e palavra fácil, pelo menos naquela altura. Nunca deixei de ir…

“Doze novelas” para as Figuras da Ficção 4: colóquio internacional

***** Uso de deidades, adorações, sacrifícios, entregos da alma, e outros hipérboles introduzidos como licenças poéticas, frases amorosas, e não em verdadeiro sentir, enquanto são gala do dizer e não desvios do sentir católico; isto, e tudo o mais, sujeito à censura da Igreja como filho dela. Gerardo de Escobar, Doze novelas, “Protestação do Autor”….

Ruínas do Carmo

… quia pulvis es… Ruinas, Rodrigo Leão Gosto de ruínas. Sinto-me em casa junto de qualquer ruína, de qualquer muro derrubado, de qualquer monte de pedras com algum sentido, ou sem sentido algum. Mas há pedras, mais ou menos arruinadas, que me comovem. Já andava para visitar o Convento do Carmo há muito tempo. Acho que guardei…