De Zahara para ti

En fin, en Carriazo vio el mundo un pícaro virtuoso, limpio, bien criado y más que medianamente discreto. Pasó por todos los grados de pícaro hasta que se graduó de maestro en las almadrabas de Zahara, donde es el finibusterre de la picaresca.

Cervantes,  La Ilustre Fregona.

Longe estava eu de imaginar que Zahara pudesse ser um lugar cervantino. Palavra árabe para designar um local rochoso, Zahara é um lugar inesperado. E agora que os dias mais quentes chegam ao fim, sorrio ao pensar que foi a única praia onde o vento me soube bem.

Um céu azul de Verão reflectido em águas límpidas, dunas até à praia com manadas de vacas paradas a ver o mar. Por trás, torres eólicas ondulantes, cidade de anjos com os olhos postos na costa do Norte de África. Um sol dourado, quase incandescente quando se afundava no Atlântico, às portas do Mediterrâneo. Pescadores na minha rua, que desaguava na praia, compunham desde manhã as redes para a almadabra, tão antiga como os vestígios romanos. O calor intenso do meio da tarde e o meu chapéu novo. As ruas cheias de gente à noite, mais fresco o tempo, mais coloridas as bancas de artesanato e os aliños de pimento, nozes e pinhões. E as águas cristalinas onde conseguia ver peixes por entre os meus pés.

Quero voltar a Zahara agora que lhe começo a conhecer os segredos. Vamos?

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