Encomenda prodigiosa

Em 1722, D. Luís Caetano de Lima, dedicava o seu manuscrito da Relação da Corte de Roma, a D. João V. Escreveu o seguinte:

Senhor, ponho aos reaes pés de Vossa Magestade as observaçoens que fiz em onze mezes de tempo assim sobre a cidade e corte de Roma, como sobre os mais dominios do Papa. A maior gloria que podia esperar deste estudo he a de obedecer promptamente a Vossa Magestade, em apontar o que achasse mais digno de memoria, como procurei fazer na Relação presente. Levado deste reverente principio terei por huma fortuna maior que a minha esperança se Vossa Magestade se aggradar das observaçoens que lhe offereço; por que nunca deve ser tanta a ambição em hum vassallo, que presuma satisfazer inteiramente ao genio de hum tão grande Principe. Prospere Deus por largos seculos a sacra real pessoa de Vossa Magestade, debaixo de cujo justo, e benigno imperio se empregão felizmente as armas em defesa da Christandade, e achão as Ciencias, e Artes Liberaes hum seguro azilo. D. Luis Caetano de Lima.

Também podia invocar a viagem a Roma do Marquês de Fontes, em 1712, como embaixador extraordinário a Sua Santidade, e muitos outros, ficando só pelos documentos que me têm interessado, sobre a relação de mecenato que D. João V manteve com os mais variados protagonistas e sobre o seu interesse das coisas romanas. O Magnífico nunca cumpriu o seu maior sonho de ir a Roma…

Assim, a exposição A Encomenda prodigiosa, patente até 29 de setembro, no Museu de Arte Antiga e no Museu de São Roque, tornou-se essencial para perceber os contornos de uma magnificência procurada e conseguida.

“A esplendorosa Basílica Patriarcal de Lisboa era celebrada por toda a Europa. Cenário único, onde se levava a efeito uma surpreendente emulação da corte pontifícia, entendida como elemento de prestígio da própria corte portuguesa, tornou-se numa das mais dramáticas perdas geradas pelo Terramoto de 1755. Possuía uma extensão, felizmente poupada pelo sismo: a Capela de São João Batista, também encomendada por D. João V com o respetivo tesouro e edificada na Igreja de São Roque. Evocar essa encomenda e o caminho que conduz da Patriarcal à Capela Real de São João Batista, exumando fontes e vestígios que o tempo parece ter querido apagar, é o objetivo desta exposição, dividida entre o MNAA-Museu Nacional de Arte Antiga e a Igreja e Museu de São Roque.”

Um esplendor efémero… trágico, na mesma medida da Real Casa da Ópera. Fotografei. Pelo menos as fotografias devem durar mais que os sete meses da Ópera do Tejo.

 

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2 Comments Add yours

  1. António Filipe Pimentel diz:

    Querida Sara
    Para além de ficar feliz por saber notícias suas, fiquei comovido com a belíssima homenagem à exposição. Valeu a pena o esforço para obter os seus comentários e fotos. Podemos divulgar no facebook do MNAA? Mil beijos. António

    1. Sara Augusto diz:

      Meu amigo,
      melhor teria feito se soubesse como! Valeu a pena por muito mais, não me deixe vaidosa. Parabéns pelo convénio com o Prado, isso sim, coisa de grande importância. Divulgue e só eu ficarei obrigada. Beijos recebidos! Sara.

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