Uykusuz Venüs

***

Dos confins da vigília.

Venus sara augusto 3
Ana Carolina Martins. Uykusuz Venüs. 2013

Como gostarias de te lembrar de mim?

Dizes-me que voltaste
Dizes-me que não me esperavas
Digo-te
Apenas
Que permaneço intocável
Ao sabor da leitura que foi nossa
Descoso-me com os cuidados de uma      [costureira minuciosa
Mesmo sabendo que não me esperaste

Atravessei-te
Sem sair de cá
Atravessei-te
Como se atravessa um hemisfério

Perfurei-te como perfura uma lança
Esperando que pelo sangue te fosses

E quase me esqueci

De que és uma daquelas marcas que deixam   [as doenças

E dizes-me que não me esperavas
Que agora me esperas

E eu desdobro-te e prolongo-te
E nas imensas entrelinhas

Digo-te
Que estou

E pergunto-te
Como gostarias de te lembrar de mim?

***

A Ana Carolina tem uma figura frágil. Contudo, só a figura é frágil, tudo o resto é poderoso. Releio o livro com o estranho nome em turco, Uykusuz Venüs . Detenho-me aqui e ali, sigo, volto a parar, volto a ler, anoto. Escolhi um dos meus poemas preferidos, o mesmo que Abílio Hernandez leu na apresentação do livro em Coimbra, na Almedina.

Uma escrita forte, de formas marcadas, desenhadas na página, para ser lida e ouvida.

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