Só de ouvir o vento passar

***

O mar tem fim, o céu talvez o tenha,
Mas não a ânsia da Coisa indefinida
Que o ser indefinida faz tamanha.

Fernando Pessoa, Cancioneiro

Saio de casa para comprar fruta e tomar café. No último minuto peguei na máquina fotográfica e mudei a objectiva. Estava uma manhã de sol que sabia bem, depois de mais uns dias seguidos de chuva. Caminhei devagar e fui fotografando.

Vi as primeiras papoilas deste ano, giestas brancas e, já na praça, canteiros de flores vivas e coloridas. Escolhi um ângulo que colocasse o céu nublado como fundo, deixei que a luz entrasse pela objectiva com mais abundância para conseguir um efeito mais difuso. Esperei que o vento soprasse para fixar o movimento no ondular das pétalas.

Fui espreitando o resultado e fiquei contente. Tomei o meu café, quase tentada pelos doces que se estendiam à minha frente… passei à mercearia, escolhi as laranjas e as maçãs, conversei e ri-me com a Dª Ana e o Sr. José, e voltei para casa.

Procura e encontrarás. A beleza está sempre tão perto… esquiva. Pessoa terá escrito “Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”.  Vale a pena ter nascido para poder fixar este passar do vento num malmequer regado de luz e chuva.

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