O conto da aranha

 Parou por breves segundos e teve uma iluminação, se é que uma aranha tem destas coisas que se abrem no espírito. Não quero mais uma ordem na vida e não posso viver no caos. Parei e olhei-a com mais atenção. Que raio, aranha, cala-te, cala-te, e enteia-te. Pareceu-me que sorria. Não sei bem como é que ela fez aquilo, mas enrolou quatro patas num sorriso amargo, e com a quinta indicou-me a teia no portão.  Não posso entrar ali mais. Confessei que também não entraria. Está lá muita luz, continuou, e deslaçou o sorriso. Mas luz é bom, assim semeada de cores, prismada, imersa no fluxo da história… não me ouviu, suponho. Olhava para a teia com os olhos bem abertos. Não percebo como fiz isto. Nem percebo por que está assim. Tanta luz fere-me as patas. Não te fere os olhos? insisti. Não, fere-me as patas.

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