This Blog: Estrada prateada

‘Silver road’, or ‘estrada prateada’ in Portuguese, is one the canon metaphors in Baroque literature. I have chosen this metaphor as the name to my blog for very specific issues, which concern literature and art from this period. These matters are the centres of my research and work. This metaphor was taken from Father Mateus Ribeiro’s long novella Alívio de Tristes, Consolação de Queixosos (‘Relief the Sad, Consolation of the Suffering’), written in mid 17th century, during a troubled time when fiction was legitimized within Baroque literature. By invoking the Horatian recommendations – ‘prodesse’ and ‘delectare’ –, the Aristotelean ‘eutrapélia’, and David Huet’s Traitté de l’Origine des Romans (Treatise on the Origin of Romances), one justifies the moral and pedagogical tone of the discourse. Above all, what I find fascinating is that ‘estrada prateada’ reiterates one of the most fundamental topics in allegorical literature – the concept of the ‘homo viator’ (the man as a traveller), and the idea of human life as a ‘peregrinatio’ (travel, peregrination).

Such a wide topic has allowed me to explore other matters apart from Baroque literature, namely travel writing, which is as effective as far as its symbolic discourse is concerned. In this genre, all visual elements are of utmost importance. Thus, from the visual representation, we shall discuss painting, photography, and, finally, poetry, which are other forms of travelling.

I shall write about all the things I like and that have touched me. I shall traverse memories that only make sense to me but that I will present as clear as possible to everyone. I will share some of my work, writing, and images.

(Tradução de Gustavo Infante e Orrin Thomas)

Estrada prateada é uma das metáforas mais bem conseguidas da literatura barroca e a sua escolha para título deste blogue teve em conta aspectos bem determinados e relacionados com os conteúdos específicos de literatura e arte com que trabalho. Foi recolhida na longa novela do Padre Mateus Ribeiro, Alívio de Tristes, Consolação de Queixosos, produzida nos meados do século XVII, num contexto conturbado de legitimação da ficção romanesca no quadro da literatura barroca. A invocação do prodesse e do delectare horacianos, da eutrapélia aristotélica e da «teoria da novela» defendida por Daniel Huet, justificam o tom moral e pedagógico do discurso. Sobretudo me interessa o facto de «estrada prateada» reiterar um dos tópicos fundamentais da produção alegórica, o tema do homo viator e da vida humana como peregrinatio.
A amplitude do tema possibilitou a convergência de outras categorias para além da literatura barroca, de modo mais evidente na literatura de viagens, mas também eficaz no contexto do discurso emblemático, onde os elementos visuais adquirem fundamental importância. E da representação visual dos conceitos passamos rapidamente para a pintura e para a fotografia. Outras viagens de importância não menos considerável. E ainda a poesia.
Escreverei das coisas que me comovem e de que gosto. Cruzarei memórias que só para mim fazem sentido mas que procurarei tornar evidentes. Partilharei trabalhos, escritas, imagens.

Metáfora.
Figura de estilo. Tropo.
Analogia. Transferência de sentidos.

Imagem. Alegoria. Símile. Sinédoque. Metonímia.

Folha de rosto, vol. I, edição de 1688.

Esta é, discreto peregrino, a relação da minha história, em que fui dilatado, para vos mostrar a variedade, que o mundo faz com suas mudanças, o pouco prémio, que interessa, quem o segue, o como no melhor falta, como só o buscar a Deus é caminho seguro, estrada prateada sem perigos, vida, em que só se vive, paz das almas, descanso do coração, alívio das tristezas, consolação das aflições; porque a maior gentileza dos cavaleiros no correr, consiste em saber airosamente parar.

Padre Mateus Ribeiro,  Alívio de Tristes, 1688, Parte II, 238.

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2 Comments Add yours

  1. Conceição Almeida Tavares diz:

    maravilhoso

    1. Sara Augusto diz:

      venha sempre, Conceição. Só vi agora o seu comentário. Desculpe.

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