Gilda Santos

*** Hoje, na Sala de S. Pedro, na Biblioteca Geral, teve lugar uma palestra proferida pela professora Gilda Santos sobre os “Estudos Portugueses no Brasil”. A professora Gilda foi apresentada pelo director da Biblioteca, o Professor José Augusto Cardoso Bernardes, acompanhado por docentes e alunos da Faculdade de Letras. Conheci a Gilda no Rio de Janeiro, quando…

A noção de ser

*** Há um sussuro morno sobre a terra; degladiam-se luz e trevas pela posse do Universo; sente-se a existência a penetrar-nos nas veias vinda lá de fora através da janela; cresce a alegria na alma a Vida murmura-nos doces fantasias. Tangem sinos na madrugada vai nascer o sol. A. Agostinho Neto, Amanhecer. Relembro as aulas…

Os contos de ukamba kimba

*** Às vezes deixo passar o tempo sem dar notícia das coisas que gosto. No dia 11 de abril foi apresentado num dos auditórios da Faculdade de Letras (o que tem a luz mais bonita do fim da tarde), em Coimbra, o livro póstumo de João-Maria Vilanova, Os contos de ukamba kimba (Vila Nova de Cerveira, Nóssomos, 2013), uma edição…

Histórias de imigração

*** A acreditar-se nos historiadores ibéricos, sejam espanhóis, sejam portugueses, a descoberta das Américas pelos Turcos, que não são turcos coisíssima nenhuma, são árabes de boa cepa, deu-se com grande atraso, em época relativamente recente, no século passado, não antes. (…) Os primeiros a chegar do Oriente Médio traziam papéis do Império Otomano, motivo por que…

Chave de casa: nosce te ipsum

Chave de casa: nosce te ipsum ou por que razão escolher a alegoria. *** Sem me levantar, pego a caixinha na mesa-de-cabeceira. Dentro dela, em meio a pó, bilhetes velhos, moedas e brincos, descansa a chave que ganhei do meu avô. Tome, ele disse, essa é a chave da casa onde morei na Turquia. Olhei-o…

Inania verba

*** Quem o molde achará para a expressão de tudo? Ai! Quem há de dizer ânsias infinitas Do sonho? E o céu que foge à mão que se levanta? E a ira muda? E o asco mudo? E o desespero mudo? E as palavras de fé que nunca foram ditas? E as confissões de amor…

Que feliz fora o mundo se perdida do amor a memória

*** Hoje li a maior parte do pequeno jornal da paróquia enquanto decidia sair ou não do carro e carregar com a mochila para o sétimo andar da faculdade. Chamou-me a atenção um pequeno artigo que falava da memória como suporte essencial para a alegria e para a tristeza. Mas surpreendeu-me uma ideia que não…

A chave de casa, nas Ciências & Letras

Quem sabe aos poucos, quando conseguir dar os primeiros passos, quando conseguir me libertar do fardo, não consiga também dar nome às coisas? E por isso, só por isso escrevo. (Tatiana Salem Levy, 2007, p. 12) Saiu o meu primeiro artigo sobre os romances de Tatiana Salem Levy, “A chave de casa: alegoria na produção ficcional…

João Gostoso

Falar durante oito horas sobre a poesia de Manuel Bandeira é sempre bom, muito bom. Daqui a pouco dou o primeiro seminário e, sobre a presença dos factos e do quotidiano em Libertinagem, obra de 1930, releio o “Poema tirado de uma notícia do jornal”. Quase sempre os alunos ficam perplexos. Eu só respondo: e por…

dois rios, de Tatiana Salem Levy

Há pessoas que chegam para nos destruir. Outras para nos salvar. Dois rios,  2012, p. 13 Finalizo o artigo para a edição online dos trabalhos apresentados em Salamanca, no congresso La Lengua Portuguesa, organizado por Angel Marcos de Dios no final de maio. Como sempre me acontece, o texto final está bem diferente da comunicação…

Dois rios, dois irmãos, e Marie-Ange

Releio o romance dois rios (assim mesmo, com minúscula, como na capa do livro). Gostei ainda mais. É um romance muito bem escrito. Suponho que esta minha apreciação tenha a ver com o facto de ter lido mais devagar, sem lápis na mão, demorando-me em cada fragmento. Trata-se da história bipartida de Joana e António, gémeos,…

Os turcos de Jorge Amado e de Tatiana Salem Levy

Estou a acabar mais um artigo sobre os romances da Tatiana Salem Levy. Foi um belo pretexto para rever uma das minhas novelas preferidas de Jorge Amado. O artigo começa assim: A acreditar-se nos historiadores ibéricos, sejam espanhóis, sejam portugueses, a descoberta das Américas pelos Turcos, que não são turcos coisíssima nenhuma, são árabes de…