The camera tells its own truth

Procurei o Taipa Village Art Space na Taipa Velha. Estava fechado. Fui visitar o Museu da História da Taipa e Coloane, que estava aberto. Não pude fotografar, não percebi bem por que razão. De qualquer forma decorei as formas do junco. Depois voltei à galeria e vi a exposição do Hugo Teixeira, com todo o tempo…

A solidão não é uma árvore no meio da planície

Sempre vivi só, Também eu, mas a solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós, a solidão não é uma árvore no meio da planície onde só ela esteja, é a distância entre a seiva profunda e a…

Em silêncio no céu onde o sol está

Hallelujah! Hallelujah! In Ewigkeit! Começam a tornar-se compridas as sombras da tarde, o crepúsculo aproxima-se devagar, também ele em passo de procissão, aos poucos o céu perde o vivo azul do dia, agora é cor de pérola, porém naquele lado de além, o sol, já escondido por trás das copas das árvores, nas colinas distantes,…

Longzhou Shehuo: Traces and Visions

Nas suas fotografias, Wu não pretendeu obter um efeito visual esteticamente belo, focando-se, pelo contrário, na expressão espiritual autêntica e nos costumes das comunidades indígenas. Já queria visitar a exposição Traces and Visions, com fotografias de Wu Xiaopeng, na Galeria de Exposições Temporárias do Instituto Cultural de Macau, há algum tempo. E fui, assim resolvida…

A Oriente

Vai, mas não deixes de me escrever. Não deixes de escrever. Não deixes de fotografar. Sente tudo. Ana de Santa Cruz In mood for love Dia 15 de outubro. Entrei no barco em Hong Kong. Apenas mais uma hora para chegar a Macau. Chovia miudinho e por entre as nuvens rompia uma luz difusa e…

Siren

É a tua parte de sereia que te faz entrar na água, transformares-te em espuma e confundires-te com as ondas.  

Fonte de prata

S. João para ver as moças fez uma fonte de prata. As moças não vêm à fonte… S. João todo se mata.   Não me lembro de algum ano não ter havido S. João, de não ter havido procissão pela aldeia. Este ano foi para mim muito especial. Há de valer por todos os que…

Narciso

Esse sou eu! Sinto; não me ilude a imagem dúbia. Ardo de amor por mim, faço o fogo que sofro. Que faço? Rogo ou sou rogado? A quem rogar? Quero o que está em mim; posse que me faz pobre.  Ovídio, Metamorfoses, Livro III, vv. 463-466 © Sara Augusto, 2016 Da série Fabulas.    …

Era uma vez um ganso

Senhor ganso, por favor, olhe para mim! Obrigada. Agora, se não for incómodo, para a esquerda. Isso… muito bem. E agora para a direita… muito obrigada. Está muito bem, senhor ganso. Foi um gosto fotografá-lo! © Sara Augusto, 2016. Parque da Cidade, Porto. Da série Fábulas.  

Night song

What did I do to make you feel so bad? What did I do that you would make me feel so bad? Julia Holter, Night song   Há razões na melancolia que as horas desconhecem e deixam que ela penetre cada minuto desocupado. E a melancolia vê a tua vida de forma distante, como se…

Fábula da lua

Havia uma lua enamorada do lago, do reflexo das árvores e dos juncos esguios. O nome da lua podia ser Narciso. Nas águas paradas contemplava a luz pálida, os traços de vales e crateras. Era um narciso conformado, demasiado longe para cair no lago. Talvez não haja história para contar. Havia apenas uma lua enamorada…

Ten seconds of Joana’s cat.

Era difícil não ter Baudelaire na cabeça enquanto fotografava a Gata: “Espelho meu, espelho meu, quem é mais gata do que eu?” És tu, Joaninha. Le chat Viens, mon beau chat, sur mon coeur amoureux; Retiens les griffes de ta patte, Et laisse-moi plonger dans tes beaux yeux, Mêlés de métal et d’agate. Lorsque mes…